Ideias para Debate

Sunday, January 15, 2006

Bolsas no estrangeiro

O Zé Paulo Gouveia Lemos masdou o seguinte texto sobre a situação dos estudantes moçambicanos fora do país. Um tema interessante:


PR QUER QUE MOÇAMBICANOS RESIDENTES NO ESTRANGEIRO CAPTEM INVESTIMENTOS PARA O PAÍS 2005/12/23 - 09:55 O Presidente da República exortou ontem as comunidades residentes no estrangeiro a serem embaixadoras de Moçambique e através de simpatia captarem investimentos para o desenvolvimento de Moçambique. Armando Guebuza fez a exortação durante a apresentação de cumprimentos ao Chefe de Estado por ocasião da quadra festiva. Fonte: Site da TVM

Conceitualmente, é uma boa iniciativa a do PR Guebuza buscar usar os emigrantes como diplomatas no estrangeiro para cativarem investimentos em Moçambique. Mas me parece que ter a simpatia nata do povo moçambicano como única ferramenta para cativar médios ou grandes investidores para Moçambique, não deverá ser o bastante. Pode mesmo ser um tiro pela culatra. Uso aqui o exemplo dos estudantes que vêem com bolsas de estudos para o Brasil. Moçambique e o Brasil mantêm um tratado sobre isso. O Brasil abre vagas nas suas universidades, sem custos para os estudantes moçambicanos, e o estado moçambicano deve garantir um valor mínimo, em forma de bolsa de ajuda de custo, para a sobrevivência desse aluno no Brasil. Não vou entrar no mérito se esse valor é o bastante ou não para que alguém possa ou não sobreviver de forma decente neste país. É preciso sim é avaliar se estes estudantes que por aqui residem, são acompanhados pelo estado moçambicano para se avaliar se estão fazendo um bom papel, se estão representando bem o país que lhe deu a oportunidade, rara, de lhe conseguir uma vaga em uma universidade fora de Moçambique e ainda lhe envia um valor mensal como ajuda de custo para a sua sobrevivência. É preciso saber como estes estudantes estão morando no Brasil, e como estão conseguindo alugar as suas casas, já que a grande maioria não tem como comprovar rendimentos para poder locar o seu teto. É preciso saber se o Estado moçambicano está acompanhando o currículo escolar destes bolsistas, para se avaliar se merecem continuar a serem bolsistas sustentados pelo resto do povo moçambicano. É preciso saber se o Estado moçambicano tem ferramentas legais e democratas para acompanhar como os seus cidadãos, que são patrocinados pelo seu povo para crescerem profissionalmente fora do seu país, vêm representando o seu país em questões legais. Se estão com as suas contas pagas ou existem pendências, se estão envolvidos com alguma questão judicial. Digo isto, porque usei algumas vezes o meu nome para alugar apartamentos para estudantes moçambicanos em Curitiba. Na grande maioria não tive problemas, a não ser o de me avisarem antecipadamente que a bolsa que vem de Moçambique mais uma vez vinha atrasada e por isso haveriam de atrasar o pagamento do aluguel e que se a imobiliária entrasse em contacto comigo, que não me preocupasse, que estariam quitando no dia tal e assim acontecia. Mas um caso me deu muito trabalho. Nunca pagava nesse dia prometido. Eu tinha que fazer o papel de cobrador da imobiliária para que o meu próprio nome não ficasse sujo. A minha profissão, e a minha moral, não me deixam espaços para que o meu nome fique sujo. Esse aluno, que aos trancos e barrancos acabou-se por formar, voltou para Moçambique e deixou-me três meses de aluguel em aberto e as devidas multas. Claro que as paguei. Entrei em contacto com o mesmo em Moçambique, contou-me uma estória para boi dormir, disse-me que me mandaria o dinheiro...mas se não foi sério aqui, não seria sério além mar. Os estudantes podem ser alguns dos diplomatas que o PR Guebuza tanto deseja, mas o Estado precisa se comprometer mais com quem manda para fora do país, começando por não atrasar no envio das bolsas de estudo (ajuda de custo) e depois no acompanhamento da postura de quem usufrui dos benefícios do Estado, pagos por todos os cidadãos moçambicanos.

3 Comments:

  • É, isso das bolsas é fundamental. Já matei a fome de vários Moçambicanos no meu País. É vergonhoso que não invistam minimamente no futuro que são os jovens.

    Voltareii com mais tempo.

    Obrigada pela visita.

    Boa semana.

    By Blogger paper life, at 12:39 AM  

  • O assunto é preocupante, mas receio que estejamos a misturar muita coisa. Quando trabalhava em Londres nos finais dos anos oitenta prestei ajuda a alguns estudantes ajudando-os a pagar as proprinas e rendas de casa. Não foi, porém, porque não tivessem recebido a bolsa a tempo porque esta era sempre pontual e dada pela British Council. Algumas dessas pessoas não me devolveram o dinheiro e tenho cruzado com elas em Maputo montados em carros de meter respeito e nenhum deles se recorda disso. A culpa não é do governo moçambicano. A culpa foi minha por ter depositado confiança em pessoas que a não mereciam. Quantos estudantes que estão fora do País recebem a bolsa directamente do nosso governo? Acho que devem ser muito poucos, por isso não creio que o problema seja do Governo, mas sim dos próprios estudantes. Seria bom que todos aqueles que recebem bolsas tivessem consciência do que isso significa para o País. Mas é só isso que podemos esperar. Dar bolsa é arriscado.

    By Blogger ESM, at 3:54 AM  

  • ainda to a ver s j me cadastrei.............

    By Blogger muhale, at 1:21 AM  

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