Ideias para Debate

Tuesday, July 12, 2005

Deixa Andar

Aproveitando a janela que parece se abriu aqui vai mais um texto, este do Álvaro Mabunda:


O MALIGNO ESPIRITO DO DEIXA ANDAR

Há algumas semanas, apercebi-me fixada em um dos melhores programas da maior estacão de televisão local, o Ver Moçambique, era entrevistado um administrador distrital a algures de Gaza. Nada de anormal, excepto pela sequência de perguntas do jovem jornalista, feita em um tom digno de interrogatório policial, sobre uma situação qualquer, relacionada com a licença de determinado empresário para exploração de areias... ou algo associado. Fiquei obviamente estupefacta com a situação... mas, cinco minutos depois percebi, o empolgamento grotesco do jornalista. Estava o Governador da Província activamente e em voz alta “de berrar domestico”, digno dos virtuosos que nunca erram (ou erraram...), a dar o mote... criticava, apontava, indignava-se com os moldes com que a dita actividade de exploração de areias estava a decorrer! Reflecti... e percebi, que o jovem jornalista afinal, nada mais tinha feito, se não imitar sua excelência senhor governador, entregando-se assim, a luta contra o espirito do deixa andar!
Quem não estiver distraído, se recorda que o dirigente em causa, fora demitido anos atras, do aparelho de estado, por uso abusivo dos bens de estado... mas como na altura o propalado espirito se achava benigno... tudo bem!
Não passou muito tempo, e assisti a mais barbara situação de atropelo a Ética e aos direitos de qualquer trabalhador acontecer ao vivo, num programa de difusão nacional. Estava o Professor Paulo Ivo Garrido, Ministro da Saúde, a enxovalhar, humilhar em publico determinado funcionário, que com certeza cometera alguma grave falha, outra vez, atónita, não acreditava no triste espectáculo que via... entretanto, as pessoas a minha volta, jubilavam de alegria, pelo excelente exemplo que sua Excelência Dr Ministro dava ao vivo a nação. Indaguei e verifiquei, que afinal, aquela manifestação de alegria popular era um desabafo profundo das gentes, pelo sofrimento passado algumas vezes nas nossos hospitais. Pensei... este homem...agora Ministro, afinal não acaba de cometer ao vivo na televisão apenas um erro...mas sim vários! O primeiro, de certa forma já lançado, refere-se a falta de postura, rectidão e atitude, porque de forma alguma, o Ministro pode ou deve em Democracia, proceder humilhando.... espezinhando em publico, mesmo a aquele funcionário da saúde que de facto teve uma conduta incorrecta. Que exemplo dera a todos funcionários da saúde, sobre procedimentos, respeito entre trabalhadores? entre chefes e subordinados ? entre médicos e enfermeiros? enfermeiros e serventes?
Os únicas formas de governação, baseadas no medo, que existiram ao longo da historia, são as de despotismo e ditadura, digo medo, porque alguém tem de por a mão na cabeça, e perceber que, é impossível mudar o mau comportamento de alguns funcionários da saúde com base no medo e nas famosas visitas e enxovalhamentos públicos...a não ser a curto prazo. Sei por exemplo que por onde o furacão “El Garrido” passou, algo mudou... mas pergunto-me se de forma sustentada? a titulo de exemplo, e isso pude verificar no decurso das minhas actividades, claramente, as bichas para o atendimento em pelo menos duas unidades sanitárias, uma em Chimoio e outra em Pemba, diminuiriam substancialmente, mas pergunto-me sempre, se a velocidade maior do atendimento (diminuição das bichas), corresponde a uma maior entrega do pessoal, ou simplesmente a uma questão numérica...de cumprimento de metas ... e se sua excelência Professor Dr. não se questiona se aquele trabalhador que ameaçou e humilhou, simplesmente e infelizmente, passou a despachar as nossas gentes para cumprir metas ? ou sua excelência somente preocupa - se em apresentar resultados cosméticos?
Após aquele episódio televisivo, fiquei bastante interessado em seguir os passos, desta personagem altamente considerada, cirurgião de renome, confesso que não vi nenhum plano estruturado de combate as enchentes nos hospitais, de motivação do seu pessoal... repito do seu pessoal, e tudo que disse fazer ou prometeu fazer, foi o que os seus antecessores fizeram, desenharam que agora, ele... o génio, pretende mostrar que pouco foi feito.
Em toda minha longa vida, assisti a vários modelos de liderança, mas nunca havia visto um Ministro da Saúde fazer política com a saúde, ainda por cima demagógica, sugerindo a todos soluções milagrosas trazidas pelo seu chicote da ordem... num jogo triste e extremamente perigoso.
Existe uma experiência em alguns países, totalmente diferente dos métodos de “El Garrido”, que são as campanhas de humanização do pessoal de saúde, desde serventes a especialistas, feitas com intuito de resgatar valores do humanismo na saúde, e são muito bem sucedidas por onde soa organizadamente introduzidas, que tal se sua excelência trocasse o desajustado “chicote samoriano” pela sabia “pedagogia de Mandela”?
Um bom líder de equipe, tem de ter a classe e ser admirado pelos seus súbditos, dar o exemplo, para que os jogadores estejam seu lado, para que os médicos, enfermeiros, serventes, radiologistas e farmacêuticos, sintam a sua mensagem e ponham-na em acção e isso é claro cristalino como agua que este ministro, com a filosofia do autoritarismo e do chicote esta a milhas de conseguir, e o que vai mesmo conseguir é mudanças de cosmética, instigar a praticas novas de mau atendimento, talvez mais subtis... talvez mais camufladas... numa espécie de greve silenciosa... e nesta altura, talvez só com os melhores curandeiros da nossa terra se conseguira exorcizar este maligno espirito do deixa andar!

Espelho da terra.

14 Comments:

  • Louvado Álvaro Mabunda, «espelho da terra»!

    Já era sem tempo. Mesmo num blog de alto nível (talvez alto de mais para uma saborosa leitura descontraída, mas enfim...) como este, não deixa de ser lamentável, que em geral, se promova o elogio mútuo e se critique grosso modo dentro do politicamente correcto.

    Compreendo o medo, o instinto de sobrevivência, que historicamente tem acompanhado os nossos intlectuais: não é por acaso que não há memória de intlectuais presos ou mártires no últimos 30 anos. Não que faltassem motivos para a revolta, ou até que faltasse a própria revolta.

    Compreendo esse medo, mas lamento-o. Os nossos melhores intelectuais, poetas, ensaístas e até artistas, têm estado, quase sempre colados ao poder, e mesmo quando tal poder, para além de não ser meritório, é até opressor, senão mesmo vil carrasco.
    Dos poucos casos que me lembro, de aberta e clara denúnciação e rebeldia, é o do Heliodoro Baptista, talvez dos mais habilidosos e dotados artífices da palavra do pós-independência. E veja-se o que lhe aconteceu: esquecido por todos, até pelos seus pares; votado ao abandono, à miséria, à desgraça.
    Infelizmente não nos podemos orgulhar de ter tido intelectuais corajosos e valentes, de consciência livre e comprometidos apenas com a verdade. Pelo contrário nos duros anos do socialismo, e após os primeiros e entusiásticos anos primaveris, logo se percebeu a injustiça do sistema que se implantava, sem respeito algum pela liberdade e autonomia individual. Mas, que fizeram os nossos intlectuais, já na altura suficientemente cultos e habilitados para identificar a tamanha mentira, incoerência e insistência do regime? Nada! Ou melhor, fizeram sim, ajudaram a embelezar, branquear e maximizar a máquina ideológica e propagandística do governo-partido-único.
    Hoje, continuando embora prisioneiros da sua própria história, alguns (muito poucos) desses intlectuais, talvez porque mais independentes financeiramente (é importante) fazem intervenções que roçam a crítica aberta e contundente, às vezes fora do politicamente correcto - reconheça-se -, mas, em geral, os intelectuais do nossos país, sejam os antigos, sejam os novos, já doutores, e que têm participado neste blog esgrimindo as suas capacidades argumentativas e indesmentíveis dotes de escrita, têm estado a discutir, grande parte das vezes - de forma toda académica - o sexo dos anjos. (Perdoem-me majestades: fugiu-me a boca para a verdade.) Tanto talento desperdiçado... enfim, é o medo, que eu compreendo e lamento (pois, não quero acreditar que seja ingenuidade ou hipocrisia).

    Assim, praticamente pulei de contentamento ao ler este artigo de Álvaro Mabunda criticando um tipo de comportamento boçal e de muito má-criação, que se arrisca a fazer carreira entre nós, nesta luta desorganizada contra o deixa-andar.

    Há tempos expendi neste blog duras objurgações às grosserias e má-criações do Ministro da Saúde, não obstante subscrever a vontade (quem não subscreve) de disciplinar, moralizar e funcionalizar os nossos hospitais. Mas logo recebi uma «tareia» da Sra. Teresa Torcato, que argumentava que ele era bom médico e que seria precisamente sua intenção enviar a todo o sistema a tal mensagem disciplinadora (eu diria aterrorizadora). Após uma derradeira réplica minha, a Sra. Torcato, lá comtemporizou um pouco tendo posto fim à discussão, o que eu acatei escrupulosamente, mas um pouco triste por me sentir só nesta indignação perante maus exemplos de despotismo e grosseria protagonizados por altos dirigentes do Estado.

    Afinal, passados alguns meses, constato que não estou só e que há muito boa gente que anda indignada com estas grosserias e as está a denunciar e criticar, pois os «fins não justificam os meios«.

    Não deixa de ser estranho que uma pessoa doutorada, tida por muito inteligente, filho dos pais irrepreensíveis como o saudoso e galante Artur Garrido e a distinta e excelsa doceira Dona Beatriz, se possa ter desviado tanto dos mínimos aceitáveis de quem teve tão bom «chá». Será talvez a excepção que tenta desmentir o ditado «os filhos não saiem às pedras da rua».

    Sinceramente, ministros doutores malcriados assim é melhor não ter.

    Esse homem tem problemas de foro psicológico. Desafio os entendidos a ensaiarem um diagnóstico.

    Recuperando Pedro Abrunhosa, nos seus momentos áureos dos princípios de 90 poder-se-ia dizer:

    Senhor ministro sabe o que precisa?

    -Talvez f.....talvez f........

    Querem conhecer o vilão? Ponham-lhe na mão o bastão.

    Há os filhos de Abel e há os filhos de Caim.

    Ivo Garrido é, claramente, da linhagem de Caim.

    Já que é tão bom e perfeito, devia ter continuado a gerir a sua 222 e deixar de nos envergonhar e humilhar por ter um ministro tão malcriado.

    Já dizia o poeta: «Não basta que seja pura e justa a nossa causa, mas é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós».

    Falta pureza, senhor Garrido, falta pureza.

    Bem haja senhor Mabunda pela sua frontalidade e denúncia!

    M.Tivane

    By Blogger m. tivane, at 4:52 AM  

  • INDEPENDENTEMENTE DO RELATIVISMO QUE POSSA ADVIR DA INTERPRETACAO DO TEXTO, OS MEUS PARABENS A ALVARO MABUNDA POR DIZER ALGO QUE COM CERTEZA MUITOS SENTIAM E NAO VERBALIZAVAM, ASSIM DIGO PORQUE O MODUS ACTUANDUM DO MINISTRO EM CAUSA SEMPRE ME LEVANTOU DUVIDAS, QUE AUMENTARAM COM AS ULTIMAS NOTICIAS DIVULGAFDAS POR PARTE DA IMPRENSA APARTIDARIA. JA AGORA UM BOM MEDICO PARA OS SEUS PACIENTES NAO CORRESPONDE NEM TAO POUCO A UM LIDER DE MASSAS, PRINCIPALMENTE SE TRATA DE UMA AREA TAO ESPECIFICA E SENTIDA COMO A SAUDE. HA ATITUDES QUE INDICIAM ALGUM EXCESSO DE PROTAGONISMO POR PARTE DO AFAMADO "EL GARRIDO". NO MEIO DISTO TUDO, ACHO QUE AS SUAS DURAS CRITICAS, A SUA MENSAGEM NEGATIVA QUE TEM PASSADO SOBRE OS PROFISSIONAIS DA SAUDE DE FORMA GENERALIZADA, DEVERIA TER O BOM SENSO DE ELOGIAR O ESFORCO QUE MUITOS PROFISSIONAIS FAZEM AO TRABALHAAR SOBRE CONDICOES PAUPERRIMAS, E PRESSAO ENORMES...COISA QUE NAO VIMOS.

    By Blogger AMELIAGONCALVES, at 2:53 PM  

  • Caro Machado,
    Acabo de ler o texto de Álvaro Mabunda e o comentário assinado por M. Tivane. Fiquei algo estupefacto com o conteúdo, sobretudo com o conteúdo do comentário de M. Tivane. Moçambique precisa de intelectuais críticos e dum debate honesto e corajoso. Esse debate não vai ser possível enquanto só se reconhecer como válida, honesta e corajosa a intervenção daqueles que criticam o poder. O debate é a troca de ideias e os que nele participam têm que confrontar as ideias, não o que pensam serem as intenções dos participantes. O que enfraquece o argumento de M. Tivane, salvo melhor informação, é que ele aparentemente ainda está vivo e, provavelmente, não está na desgraça. Das duas uma: ou não é corajoso como espera que os outros sejam, ou então o clima de debate não é assim tão mau. De qualquer maneira, acusar os participantes deste "blogg" de cobardia por apenas discutirem o "sexo dos anjos" parece-me muito injusto. E arrogante: Será que só aquilo que ele vê como problema é problema?
    Teria maior compreensão para a sua preocupação se o texto que ele tanto elogia fosse de facto uma grande contribuição para a melhoria deste país. Mas não é. É apenas a diabolização dum indivíduo, cujo comportamento, embora lamentável, não me parece explicar os nossos problemas. Ao invés de apelar para a mudança de comportamento do Ministro devia procurar saber porque esse tipo de comportamento é possível, como se pode garantir a integridade e dignidade individuais dos funcionários públicos e que mecanismos jurídicos, sociais e políticos existem para tornar isso tudo possível.
    Infelizmente, o nosso debate sempre emperra porque as pessoas que se consideram críticas do poder semprem partem da premissa dum governo todo poderoso, omnisciente, presciente e ubíquo e acabam perdendo fé no potencial de debate de ideias para melhorar o país. Resvalam para teorias de conspiração.
    Gostaria de terminar com um apelo a todos os jovens que têm participado com tanta imaginação e frescura neste "blogg" para que se não deixem desanimar por este tipo de invectivas.
    Um abraço

    By Blogger ESM, at 11:59 PM  

  • Permita-me ESM , discordar profundamente da sua opinião, vejo neste texto mais do que uma mera diabolizacão de uma determinada figura, pelo contrario, encontro focos para reflexão profunda que Mabunda lança em seu texto, aspectos da gestão de mudanças, das capacidades dos nossos lideres em de motivar as suas equipes, em atrair seguidores e admiradores, principalmente nos seus próprios ministérios e alargando-os para a população em geral é francamente pobre, advindo dai alguns receios sobre a viabilidade deste saudável ímpeto do novo governo, mas o tempo dirá se estou certo. No sector da saúde, talvez o discurso fosse mais contido, mas as tais campanhas de humanização e incentivacao destes profissionais são imperiosas. Finalmente de chamar a atenção a Tivane, se o próprio me permitir , para o facto de gerir melhor a “ofensiva de indignação” de que tem direito, em termos de cuidado na linguagem sob o risco de estar a cultivar o mesmo que critica no tal ministro.

    By Blogger srsnbernado, at 5:21 AM  

  • Boa Observação Elísio Macamo. Ela não se esgota ao caso em questão, mas paira um pouco por todos os temas em discussão. É um pano de fundo que beira um pouco ao niilismo.

    By Blogger Mangue, at 9:05 AM  

  • NILISMO?
    FRANCAMENTE... SO SE FOR PELA NEGACAO DE REALIDADES INSUSTENTAVELMENTE TRISTES, DE ATITUDES INDIGNAS DE DETERMINADAS PERSONALIDADE...MAS A ISSO EU CHAMO INCORFOMISMO, E TENTO TODOS DIAS TRANSMITIR A JUVENTUDE, ESSE ESPIRITO,DE ANALISE PROFUNDA,TERRA A TERRA.
    VE-SE QUE MUITOS SAO OS QUEREM A MANUTENCAO DE ALGUMA HIPNOSE OU CEGUEIRA SOBRE ASSUNTOS QUE NOS PASSAM DIA A DIA... E FRANCAMENTE, O QUE E QUE NOS INDICIAM ESTES NOVOS COMPORTAMENTOS DE PUNICAO PUBLICA INDIVIDUAL DE FUNCIONARIOS? A LEI DE TRABALHO NAO ADMITE TAIS PROCEDIMENTOS, AFINAL SER MINISTRO, DIRECTOR NACIONAL OU CHEFE TORNA-NOS IMPUNES A LEI?
    BENVINDO MABUNDA, QUE ESTE ARTIGO NAO SEJA O PRIMERO E ULTIMO. CONTINUE A DENUNCIAR, QUESTIONAR....LEVANTE A DISCUSSAO!

    By Blogger AMELIAGONCALVES, at 9:59 AM  

  • Se o texto em questão é o exemplo do "inconformismo" celebrado pelo "ameliagoncalves" e de "reflexão profunda" aplaudida por "srsnbernardo" está visto porque o nosso governo não pode ser melhor do que é agora. os que a ele se opõem e o criticam precisam de ser muito melhores do que isto. E precisam de ter a coragem de mostrar a cara.
    Há vários meses que o jornal "Domingo" criticou o estilo do Ministro da Saúde. Que eu saiba, nenhum funcionário desse jornal sofreu represálias por causa disso. Se a crítica quer mesmo ser "inconformada" e representar uma "reflexão profunda" então que seja mesmo verdadeiramente "inconformada" e "profunda". Na impossibilidade de o ser, que seja pelo menos original.

    By Blogger ESM, at 11:37 PM  

  • Concordo inteiramente com as posições de Elísio Macamo e discordo com algumas das asserções feitas por Tivane, por vários motivos dos quais apenas três serão citados. Em primeiro lugar nem todo o intelectual deve almejar ser martirizado, em segundo lugar discutir alguns problemas do país, também faz parte do processo de construção de uma nãção e não creio queneste blog se esteja a discutir o sexo dos anjos, pois não existem critérios para se definir essse processo. Em terceiro lugar, ele como intelectual devia pensar no que fazer para mudar o "status quo" uma vez que os grande parte dos intelectuais nada fazem, segundo a sua percepção.
    Olívia faite

    By Blogger omf, at 6:51 AM  

  • MAS ISTO E UM PARADOXO...NUM BLOG DISCUTEM-SE IDEIAS... PONTOS DE VISTA, LEVANTA-SE AS QUESTOES, ULTIMAMENTE ANDA MUITA GENTE A QUERER SABER A IDENTIDADE DESTE OU DAQUELE! PARA QUE? O IMPORTANTE E A TROCA DE IDEIAS,NAO DE BILHETES DE IDENTIFICACAO! ALGUNS ATE JA SABEM QUEM E O TAL "ESPELHO DA TERRA" !POR OUTRO LADO NAO PERCEBO ESTE ATAQUE FEROZ POR PARTE DE ALGUMAS PERSONALIDADES AOS ULTIMOS TEXTOS..APARENTEMENTE NINGUEM DISCORDA DA MENSAGEM QUE OS MESMOS TRAZEM E MAIS GRAVE, CLARAMENTE INSISTEM EM ARRANJAR DISCUSSOES PARALELAS QUASE FILOSOFICAS,EVITANDO A FRONTALIDADE QUE O TEMA EXIGE... NAO ADMIRA QUE TIVANE, ACHE QUE HA MUITA GENTE PREUCUPADA COM O SEXO DOS ANJOS! JA AGORA "esm" OS TEXTOS DENUNCIAM E AVANCAM ALTERNATIVAS DE FORMAS DE ACTUAR, NAO ESTA EM CAUSA A MUDANCA EM SI...MAS A MODO DE PROCEDER!SE CALHAR O QUE FALTA AOS "ESPELHOS DA TERRA", TIVANES , GOMES E FILOSOFIA, PARA QUE AMANSEM AS PALAVRAS,TORNANDO-AS DE DIGESTAO FACIL...POLITE.

    By Blogger AMELIAGONCALVES, at 2:19 PM  

  • Volto a insistir sobre o assunto porque é evidente que não estamos a falar das mesmas coisas. Se o "ameliagoncalves" me inclui na categoria de "personalidades" devo lhe dizer que, da minha parte, não houve nenhum ataque "feroz" ao que Álvaro Mabunda escreveu. Comentei essencialmente as observações feitas por M. Tivane a propósito da qualidade das intervenções feitas neste "blogg" por outras pessoas. Discordei da ideia de que a crítica só é válida quando é contra o poder. Procurei mostrar que a sua posição compromete o próprio debate. Álvaro Mabunda entrou nas minhas considerações apenas como exemplo do que uma boa crítica - ainda que contra o poder - não pode ser, justamente por lhe faltar "inconformismo", "profundidade analítica" e, já agora, "frontalidade". Se o "ameliagoncalves" acha que o texto de A. Mabunda tem qualidade, muito bem, só que da minha parte isso revela quanto ainda falta aos que se julgam críticos do governo para de facto constituirem algo digno de nota em termos de crítica. Sobre o anonimato o "ameliagoncalves" tem razão em relação ao valor da troca de ideias e não de bilhetes de identidade. O que me incomoda é que as pessoas que defendem tanto a "frontalidade" não tenham coragem de dar na cara. Esse é que é o paradoxo. Que fé devo ter em alguém que insiste na frontalidade, mas não diz quem é?

    By Blogger ESM, at 11:31 PM  

  • CARO esm:
    CRITICAR POSTURAS DE DETERMINADA INSTITUICAO, DE DETERMINADA PERSONALIDADE, NAO SIGNIFICA SER OPOSITOR DESSA INSTITUICAO OU PERSONALIDADE, NESTE CASO CONCRETO O GOVERNO E ISSO ESTA TAO ENRAIZADO NAS NOSSAS MENTES QUE DISPARA A UMA VELOCIDADE EXTRAORDINARIA, CONFUNDIDO AS IDEIAS, AS CAPACIDADES DE DISCUSSAO E MUITAS VEZES CRIANDO UMA "RIGIDEZ DEFENSIVA", AS VEZES PARECE QUE O RACIOCINIO ESTA TAO POLITIZADO, QUE FALTA ESPACO PARA FRIEZA! OS OPOSITORES DO GOVERNO FAZEM POLITICA E NAO ME PARECE QUE SEJA ESSA A QUESTAO EM CAUSA!POR FAVOR FACAMOS A CRITICA, O ELOGIO SINCEROS... ACABEMOS COM AS "TRINCHEIRAS INTELECTUAIS".

    By Blogger AMELIAGONCALVES, at 4:29 AM  

  • Ainda bem que começa a ver as coisas como as vejo. Mais uma vez: Insurgi-me contra a ideia de que a crítica só é válida quando é contra o poder. Isso é o que pude depreender do comentário feito por M. Tivane e também da sua própria insistência na ideia de que quem não vê as coisas como você as vê está feito com o poder, é cego, quer manter hipnose, etc. É claro que criticar não significa ser opositor, embora não exclua essa possibilidade. Só a indignação não é suficiente para se ter razão. É preciso muito mais, ponderação, profundidade na análise e, sobretudo, a frieza de que fala e que tanto faz falta nos comentários que tem vindo a fazer. Só isso vai tornar o debate intelectual útil. Só isso nos vai precaver de usar a palavra "filosofia" como um insulto dirigido ao que outras pessoas dizem, e que não percebemos, ou que são diferentes do que nós próprios achamos. É preciso abertura de espírito para ver o efeito emancipatório do debate, independentemente do que motiva as pessoas a intervirem. É contra tudo isso que me insurgi e vou continuar a protestar. Cada qual tem o direito de se debruçar sobre o que lhe interessa, da maneira que mais conveniente achar, sem, contudo, querer impôr sobre os outros a sua maneira de ver as coisas sob pena de acusação de estar em conluio com o poder. Uma parte do atraso em que o nosso país se encontra explica-se em grande parte pelo tipo de atitude que defende nos seus comentários: nos anos a seguir à independência houve muita insistência numa "verdade" sancionada ideologicamente. Se há alguma licção que devíamos ter aprendido disso é justamente a ideia de que temos que ter a coragem de relativizar os nossos pontos de vista. Nenhum de nós é detentor da verdade nem dos assuntos que são verdadeiramente importantes para este país. Nenhum. Mas as regras sobre como trocar opiniões deviam ser consensuais.

    By Blogger ESM, at 8:55 AM  

  • CONCORDO E ASSINO POR BAIXO...

    By Blogger AMELIAGONCALVES, at 1:30 PM  

  • Comecei a visitar este blog ainda ele não estava tão «famoso». Pelo que acompanhei a sua transformação numa espécie de blog temático, de tendências académicas, enfim, quase que um blog das ciências sociais. Nada tenho contra, até porque não é área do meu completo desconhecimento. Porém, e não obstante algum «fascínio» do dono do blog e alguns dos seus principais «camaradas» perante a indesmentível qualidade formal e substantiva das contribuições e ideias em debate (para a qual contribuíram, sem dúvida, os «langas» e o próprio ESM), foram eles próprios (Machado & companhia) que repetidas vezes manifestaram alguma preocupação pelo teor demasiado académico e técnico para a linha editorial do blog. Houve mesmo alguns artigos que eram relatórios e dissertações de cursos universitários. Ora, este tipo de abordagens, fora de um contexto académico ou profissional, acabam por ser pachorrentas e até muitas vezes pretensiosos.

    Muitas vezes confunde-se instrução com cultura e com intelectualidade, o que é uma pena. Infelizmente ainda estou na fase da mera instrução, buscando cultura e contentando-me por admirar os intlectuais, dos quais desafortunadamente talvez nunca consiga fazer parte.

    O ESM terá razão em muito do que diz, na objurgativa que me faz. Faltou-me porventura o engenho para expressar de forma mais sensata ou cordata a minha indignação. Pela qualidade do que dele tenho lido neste blog, a sua crítica merece-me reflexão.

    Todavia, presumo que ele terá um percurso, uma história que o coloca do lado em que está, (que nem chega a ser oposto ao meu) e o leva a abordagens mais polidas e tolerantes, até porque creio que estará perfeitamente identificado e qualquer «deslize» poderá ter reflexos imediatos na sua carreira (que provavelmente estará ligada e dependente, directa ou indirectamente, do Estado).

    Era um pouco desta característica dominante nos nossos intelectuais que eu me queixava: raramente fazem uso da sua inteligência e cultura para a por realmente ao serviço do povo. Não que as não utilizem para fins válidos e nobres. Mas era preciso mais...

    É preciso questionar o poder sim. Se é para usar paninhos quentes, e fazer elogios ao poder instituído, então não vale a pena. Não me parece que deva ser esse o desígnio de quem se propõe intervir a este nível. Qualquer atitude que não seja de questionamento permanente acho que devia ficar guardada para os pareceres a Suas Excelências, lá em qualquer instituição pública: é o compreensível «instinto de sobrevivência», que nem por isso deixa de ser lamentável.

    Mas não estou a falar de si, ESM, mas um pouco daquilo que me é dado constatar na sociedade em que vivo.

    A terminar, ESM, queira você e outros tantos participantes empenhados e talentosos deste blog desculpar alguma indelicadeza que a minha imperícia tenha deixado escapar. Como você bem dizia, nem faz sentido criticar as grosserias dos nossos dirigentes e depois e ainda que inadvertidamente, roçar a mesma atitude na colocação da indignação. É que há coisas (como estas dos nossos governantes abusadores e malcriados, que tratam mal o povo e dão péssimos exemplos) que me tiram do sério.

    Mesmo após as criticas, acredito que não serei completamente desprovido de bom senso e que não é ficção aquilo de que me queixo e denúncio. Por isso ESM, também o convido a fazer um esforço para ultrapassar a animosidade inicial e a abrir o espírito para reflectir, como pensador e intlectual, se não haverá~- objectivamente- pelo menos, alguns pontos de razão nas minhas lamentações.

    Sem ressentimentos.

    M. Tivane

    By Blogger m. tivane, at 2:46 AM  

Post a Comment

<< Home